Por Equipa GoCaldas●21 de dezembro de 2014
Um Hospital Fundado por uma Rainha, um Parque Romântico e Chafarizes com Sete Bicas: o Património Termal de Caldas da Rainha
Mais de cinco séculos de história moldada pelas águas: do Hospital Termal da Rainha D. Leonor ao Parque D. Carlos I, ao Céu de Vidro e aos chafarizes de D. João V.

Quando se fala de Caldas da Rainha, o primeiro pensamento vai para as águas e para a Rainha, a origem e a essência de uma cidade que está no próprio nome. O seu património termal concentra-se sobretudo no centro histórico, mas sente-se por toda a cidade, e conta mais de cinco séculos de história.
A importância deste património é reconhecida pela adesão à European Historic Thermal Towns Association (EHTTA), a rede europeia de cidades termais históricas, da qual Caldas da Rainha foi a primeira cidade portuguesa a fazer parte.
Acompanhe-nos numa visita a esse legado, que junta monumentos, museus, jardins e a famosa cerâmica. E tudo a cerca de 10 minutos da Foz do Arelho e da Lagoa de Óbidos, a maior lagoa costeira do país.
Hospital Termal
Segundo a lenda, a Rainha D. Leonor conheceu estas águas por acaso, quando viu pessoas a banharem-se. Percebeu os seus benefícios, de que se diz ter usufruído, e mandou criar no final do século XV um dos primeiros hospitais termais do mundo, pensado sobretudo para os mais necessitados e baseado em tratamentos termais.
O Hospital Termal fica no Largo Rainha D. Leonor, o “Largo do Termal” para os caldenses. Foi totalmente remodelado no século XVIII, depois da passagem de D. João V pelas Caldas para usar as águas, numa obra dirigida pelo engenheiro Manuel da Maia, mais tarde um dos responsáveis pela reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755. No final do século XIX, sob a administração de Rodrigo Berquó, recebeu novas obras, entre elas o terceiro piso.
É um excelente ponto de partida para conhecer o centro histórico e o comércio tradicional de uma cidade conhecida como um centro comercial a céu aberto.
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O Melhor das Caldas da Rainha: visita com um guia local
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Igreja de Nossa Senhora do Pópulo
Construída como capela do Hospital Termal, a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo foi elevada a igreja matriz com o rápido crescimento da cidade. É obra do mestre Mateus Fernandes, um dos responsáveis pelas Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha, e a sua capela-mor foi erguida sobre uma das nascentes termais.
Pequena no tamanho, é grande na mistura de estilos: é apontada como um dos primeiros edifícios com sinais do estilo manuelino e tem pormenores, por dentro e por fora, que merecem uma visita atenta.
Em 1504 foi palco do Auto de São Martinho, de Gil Vicente, de quem a Rainha D. Leonor, grande impulsionadora das artes, era mecenas.
Pavilhões do Parque
Os Pavilhões do Parque, no Parque D. Carlos I, começaram a ser construídos em 1893, num projeto de Rodrigo Berquó. Deviam ser o futuro Hospital D. Carlos, com internamento e outros serviços, enquanto o edifício antigo passaria a funcionar só como balneário. Nunca chegaram a cumprir essa função e, ao longo dos anos, acolheram várias instituições da cidade.
Construídos de frente para o lago, representam a ambição de Berquó de pôr as termas das Caldas ao nível das grandes estâncias europeias do final do século XIX. A imagem do edifício refletida no lago tornou-se um dos postais mais conhecidos da cidade.
Mesmo com as marcas do tempo, continuam a ser um dos edifícios mais simbólicos das Caldas. Confirme o que está em curso ou aberto ao público antes da visita.
Céu de Vidro
O Céu de Vidro liga o Largo Rainha D. Leonor ao Parque D. Carlos I por um percurso coberto de ferro e vidro, decorado com um impressionante trabalho de ferro forjado; os candeeiros em forma de dragão são os melhores exemplos. Para quem vem do Hospital Termal, é a melhor forma de entrar no parque.
Nos tempos áureos do termalismo fazia parte do Clube de Recreio, fundado em 1837, onde a elite balnear se reunia. Hoje recebe com regularidade atividades culturais.
Parque D. Carlos I
Idealizado por Rodrigo Berquó, o Parque D. Carlos I substituiu o antigo Passeio da Copa, criado em 1799. Passear e contactar com a natureza fazia parte da convalescença dos tratamentos termais.
Entre 1889 e 1891 o Passeio da Copa foi remodelado e ampliado, com o lago artificial e a sua ilha ajardinada, novas plantações e vedação. Em 1904 recebeu iluminação elétrica, que se tornou uma das atrações das noites da época balnear.
Fascínio verde
O parque é a grande mancha verde da cidade, com mais de 70 espécies de flora e aves de várias partes do mundo, reflexo do cosmopolitismo da antiga estância termal. É um dos pontos de encontro dos caldenses e um dos locais mais visitados das Caldas.
Aqui fica o Museu José Malhoa, dedicado ao pintor caldense, e a Casa dos Barcos, que recebe exposições e mostras de oleiros a trabalhar ao vivo. No verão, o lago tem barcos a remos para alugar. Há ainda o coreto, os Pavilhões do Parque, um parque de merendas e campos de ténis.
Mata Rainha D. Leonor
Com o Parque D. Carlos I, a Mata Rainha D. Leonor forma a principal área verde da cidade. É ali que estão os recursos aquíferos subterrâneos que alimentam as termas, e foi a necessidade de os proteger que ditou a sua criação.
No final do século XIX também foi intervencionada por Rodrigo Berquó, embora de forma menos profunda. Organizada em talhões e varandas ao longo de alamedas frondosas, reúne um conjunto importante de flora e aves. É um dos passeios mais tranquilos da cidade.
Palácio Real e Museu do Hospital e das Caldas
O Palácio Real acolhe hoje o Museu do Hospital e das Caldas, que conta a história do Hospital Termal e da cidade. No passado, o edifício, então chamado “Caza Real”, foi habitado pela Rainha D. Leonor.
Ao longo dos séculos foi remodelado várias vezes, recebendo um traço clássico num projeto atribuído ao arquiteto francês Pierre Joseph Pézerat. No final do século XIX, Rodrigo Berquó voltou a remodelá-lo e ampliá-lo, e passou a chamar-se Palácio Real, destinado às cerimónias oficiais da Família Real quando esta vinha às Caldas na época balnear.
Depois de 1910 foi ocupado por várias entidades públicas, até ser requalificado nos anos 90 para receber o museu. Fica por trás do Hospital Termal, perto da Igreja do Pópulo, e vale também pela arquitetura e pelos jardins.
Chafarizes
A cidade tem três chafarizes, construídos na reforma da rede de abastecimento de água promovida por D. João V, ele próprio utilizador das águas caldenses. Da mesma época é um aqueduto, de que restam poucos vestígios, na zona sul da Mata Rainha D. Leonor.
O Chafariz das Cinco Bicas fica perto do aqueduto e da Mata; o Chafariz da Rua Nova está no Largo D. Manuel I, ao lado do Hospital Termal; e o Chafariz da Estrada da Foz fica no início da Rua Vitorino Fróis, perto da “Rainha” (Largo Conde de Fontalva), assim chamada pela estátua de D. Leonor.
Classificados como Imóveis de Interesse Público desde 1982, somam sete bicas, numa alusão às sete filhas de Atlas e da oceânide Plêione. Para os conhecer, só tem de dar um passeio pela cidade.
Visita guiada recomendada
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Perguntas frequentes
Quem fundou o Hospital Termal de Caldas da Rainha?
A Rainha D. Leonor, no final do século XV. É considerado um dos primeiros hospitais termais do mundo.
O que ver no património termal de Caldas da Rainha?
O Hospital Termal, a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, os Pavilhões do Parque, o Céu de Vidro, o Parque D. Carlos I, a Mata Rainha D. Leonor, o Palácio Real (Museu do Hospital e das Caldas) e os chafarizes.
Quem foi Rodrigo Berquó?
O arquiteto e administrador do Hospital Termal no final do século XIX, responsável pelo Parque D. Carlos I, pelos Pavilhões do Parque e por várias obras no complexo termal.
Quantos chafarizes históricos tem a cidade?
Três: o das Cinco Bicas, o da Rua Nova e o da Estrada da Foz, classificados como Imóveis de Interesse Público desde 1982.
Mais sobre Caldas da Rainha
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Este roteiro foi preparado pela equipa GoCaldas, o guia turístico de Caldas da Rainha. Confirme horários e preços antes da visita.